Com curadoria de Bené Fonteles, a mostra reúne trabalhos da xilogravura nordestina das últimas cinco décadas. Estão expostas obras assinadas por diversos gravuristas, desde o pioneiro na popularização da técnica, Mestre Noza, ao contemporâneo por vezes elogiado por Ariano Suassuna, Samico, passando por grandes nomes como J.Borges, Stênio Diniz, José Lourenço, Costa Leite, João Pedro do Juazeiro, dentre outros.
Os xilógrafos nordestinos ilustraram, no início do século XX, novenários, almanaques, e cordéis de temáticas religiosas, políticas e eróticas. Os artistas colaboraram também com a publicidade por meio da execução de rótulos de bebidas, de folhetos comerciais e da criação e reprodução de marcas e logomarcas.
Além das gravuras, fazem parte do acervo objetos relativos ao processo de produção xilográfica, como pedaços de madeira entalhada.
Xilogravura
A xilogravura consiste em gravar imagens numa madeira mole (cajá, imburana, cedro ou pinho) com instrumentos cortantes (goiva, faca, canivete, estilete, formão, buril). O desenho é feito no papel, passado para a madeira com carbono, ou desenhado diretamente na madeira. Em seguida, começa a ser talhada para finalização.
Depois de gravada, a matriz recebe uma fina camada de tinta espalhada com a ajuda de um rolinho de borracha. Para fazer a impressão, basta posicionar uma folha de papel sobre a prancha entintada e fazer pressão manualmente, esfregando com uma colher ou mecanicamente, com a ajuda de uma prensa.
Mestres
O primeiro artífice da xilogravura a ser conhecido nacional e internacionalmente foi Mestre Noza em Juazeiro do Norte, CE. Ele foi pioneiro na popularização da técnica quando trabalhava por encomenda para a Tipografia São Francisco, que desde os anos de 1930 era a mais importante editora e impressora do Cariri cearense. A gráfica foi depois rebatizada pelo poeta Patativa do Assaré com o nome de Lira Nordestina.
Em Juazeiro do Norte surgiram outros geniais artistas da xilogravura, a partir da década de 1940: João Pereira da Silva, Walderêdo Gonçalves, Manoel Lopes da Silva – o “Manoel Santeiro” –, Damásio Paulo, Antonio Batista da Silva, Abraão Batista e Antonio Lino da Silva. Estes mestres gravadores ensinaram a lida ou inspiraram a obra da geração seguinte na região do Cariri, entre eles Stênio Diniz, José Lourenço, João Pedro do Juazeiro, Francorli, Cícero Lourenço, Nilo, Gilberto Pereira, Cícero Vieira, Hamurabi Batista e muitos outros, quase todos vindos da oficina gráfica Lira Nordestina.
Pernambuco também foi palco de grandes mestres xilógrafos como Dila, Costa Leite, Marcelo Soares, Amaro Borges, Jerônimo Soares e J. Borges, que faz uma escola estética seguida por parentes. Há também a contribuição de Ciro Fernandes, ilustrador de refinado senso estético. Já na Paraíba, destaca-se a obra seminal de José Altino.
Outro importante artista da xilogravura nordestina é o pernambucano Gilvan Samico. Ele trabalha com uma linguagem ousada, que teve como ponto de origem o imaginário dos artistas gravadores populares do Nordeste. Samico recria e transcria todo o fabulário nordestino e universal, utilizando de matéria poética, nunca meramente narrativa, sempre essencialmente visionária. Renova também a gravura no Brasil por meio de uma complexa forma de gravar, feita com apuro e rigor estético.
Para Ariano Suassuna, Gilvan Samico é uma extraordinária personalidade de artista erudito que, ligando-se espontaneamente às raízes da arte popular nordestina e dando-lhe uma amplitude e uma profundidade maiores, cria aquela obra que, para ele, está acima de todas no campo da gravura brasileira. Suassuna tem Samico como herdeiro e rei da gravura popular nordestina.
Serviço:
Última semana da exposição Xilogravura Nordestina – Trajetória e evolução, no Memorial da Cultura Cearense, até domingo, 07 de agosto. Horário de visitação: Terça a quinta, das 9h às 19h (com acesso até 18h30). Sexta a domingo, das 14h às 21h (com acesso até 20h30).
Acesso livre.







Esta semana se encerra a exposição Xilogravura NordestinaTrajetória e evolução, no Memorial da Cultura Cearense, aberta à visitação até domingo, 07 de agosto, na quinta, das 9h às 19h e de sexta a domingo, das 14h às 21h. O acesso é livre.








